terça-feira, 4 de setembro de 2012

Guerreiras: Mulheres com HIV se unem contra o preconceito no Brasil

“Hoje mais que nunca meu nome é luta....luto para que os direitos de todas as pessoas com HIV/AIDS sejam respeitados, luto para que o preconceito, o estigma e a discriminação diminua” Heliana Moura

Ela vive com HIV há 16 anos. Mãe de dois filhos, a assistente social Heliana Moura  é uma das mulheres ativistas de renome nacional que dedica suas vidas a combater o preconceito com as pessoas que vivem com HIV/AIDS no Brasil. Residente em Belo Horizonte é liderança do Movimento Nacional de Cidadãs Positivas (MNCP) e estará em São João del-Rei realizando oficinas de prevenção nas escolas na semana que antecede a parada gay, além de ser uma das agraciadas com o “Troféu São João del-Rei de Direitos Humanos e Combate a Homofobia”. Na entrevista abaixo ela fala sobre os desafios para superar uma epidemia que ainda mata e acomete, principalmente, a juventude gay e as mulheres jovens no Brasil. O machismo e a homofobia são apontados pela ativista como fatores preocupantes e que tem relação direta com a epidemia de Aids no nosso país. “O SUS precisa ser fortalecido” alerta a ativista.  
 
MGRV: O que é o movimento nacional de cidadãs positivas?
 
Heliana Moura: É um movimento de mulheres que vivem com HIV/AIDS, onde temos representação em todos os estados do Brasil. Sou o ponto focal em Minas Gerais e ocupo a secretaria nacional do colegiado. Atualmente, trabalho como monitora do Programa BH de Mãos Dadas contra Aids e terminei o curso de Serviço Social. 
 
MGRV: Qual o objetivo do movimento?
 
Heliana Moura: O objetivo do Movimento Nacional de cidadãs Positivas é fortalecer e empoderar as mulheres vivendo com HIV/AIDS tanto individualmente, quanto coletivamente, incentivando o protagonismo e ocupação de espaços de controle social como os conselhos municipais e estaduais de saúde, comissões de discussão sobre a epidemia de Aids entre outros espaços de diálogo e construção com o poder público. 
 
MGRV: Quem pode participar? Como participar?
 
Heliana Moura: Pode participar mulheres que vivem com HIV/AIDS. É importante ter um núcleo em cada município com respaldo da representante estadual, para articularem as ações juntamente com outros núcleos.  
 
MGRV: Há quanto anos você vive com HIV? Conte um pouco de sua experiência desde momento em que soube de sua sorologia, os desafios, preconceitos e vitórias.
 
Heliana Moura: A descoberta da sorologia é sempre um momento muito difícil, mas graças ao apoio de familiares e de amigos, consegui superar os primeiro momentos que são os mais complicados. Resolvi superar, viver intensamente, ser feliz, amar e ser amada, tive mais um filho, agora tenho um casal, a moça antes do HIV e o menino depois, hoje com 22 e 14 anos respectivamente, entrei no movimento social, sou hoje protagonista da minha história, falo por mim, e por milhares de mulheres, realizando controle social, levando nossas demandas aos gestores e ocupando espaços me fortalecendo e tentando através de informações e esclarecimentos fortalecer também outras mulheres. Há 4 anos decidi me graduar em serviço social, e em agosto de 2012 me formo e hoje sou uma assistente social. Sei que ainda tenho muito que caminhar, mas desistir não é meu nome, hoje mais que nunca meu nome é luta....luto para que os direitos de todas as pessoas com HIV/AIDS sejam respeitados, luto para que o preconceito, o estigma e a discriminação diminua, e que as pessoas respeitem as diferenças. Vivo com HIV há 16 anos, mas o HIV não me impede de viver como qualquer outra pessoa.  
 
MGRV: Qual a principal dificuldade de uma pessoa vivendo com HIV hoje?
 
Heliana Moura: Acredito que ainda temos muitas, mas percebo ainda o preconceito, pois ele faz com que pessoas desistam de viver, percam emprego, amigos e familiares se afastem. 
 
MGRV: Qual a avaliação que o MNCP faz sobre a epidemia de Aids em Minas Gerais?
 
Heliana Moura: Temos muito que avançar, somos um estado conservador, machista, sexista e homofóbico, tudo isso faz com que nós pessoas vivendo com HIV e AIDS encontremos diversas dificuldades; temos que aumentar o numero de municípios com programas de DST/AIDS, temos que levar informações a muitas pessoas ainda, de forma correta, sem tabus, falar de sexualidade para chegar na prevenção, temos que fortalecer nosso SUS. 
 
MGRV: Quais os fatores que colocam a mulher, jovem, mais vulnerável ao HIV?
 
Heliana Moura: Questões que agravam a vulnerabilidade dessas populações, o único caminho é a informação continuada nas escolas, nos CRAS, nas igrejas, nas comunidades, enfim, informação e prevenção andam juntas. 
 
 
MGRV: É a primeira vez que você vem a SJDR participar de uma atividade com o movimento LGBT local. Qual a importância do diálogo e parceria dos diversos movimentos de luta contra a Aids?
 
 
Heliana Moura: Sim é a primeira vez que estarei contribuindo com nosso trabalho em São João del-Rei. Admiro muito o trabalho do movimento gay, somos frutos de toda militância de um movimento tão politizado e articulado, essa parceria é fundamental. Estou muito feliz e agradecida por essa oportunidade, contem sempre comigo e com MNCP/MG.

 

0 comentários:

Postar um comentário